segunda-feira, 19 de março de 2012

Pesquisa mapeia 246 profissões e descobre que todas estão em alta


Funcionária da Plastlab, indústria de transformação de plástico: supervisor de produção nesse tipo de indústria é profissão com maior tendência de crescimento, segundo pesquisa da Firjan
Foto: Gustavo Stephan
Funcionária da Plastlab, indústria de transformação de plástico: supervisor de produção nesse tipo de indústria é profissão com maior tendência de crescimento, segundo pesquisa da FirjanGUSTAVO STEPHAN
RIO - 2016 é considerado um possível marco para o Brasil: até lá, quando serão realizadas as Olimpíadas, as expectativas são as mais otimistas. Mas, segundo pesquisa da Firjan feita em todo o país, já é possível olhar além. Em que pese recente desaceleração no setor, o estudo "Perspectivas estruturais do mercado de trabalho na indústria brasileira" mostra que, até 2020, nosso mercado seguirá aquecido, com ritmo de contratações alto nas áreas extrativa, de transformação e construção civil.

Com a participação de 402 empresas brasileiras, que empregam 2,2 milhões de pessoas, o trabalho também apurou quais são as profissões com maior tendência de abertura de vagas nos próximos oito anos. No Top 3 estão supervisor de produção em indústrias de transformação de plástico, engenheiro de petróleo e técnico em sistemas de informação.
— São as grandes empresas do Brasil todo que enxergam as tendências. 

As menores vão a reboque delas — afirma Hilda Alves, gerente de Pesquisas e Estatística da Firjan.

O estudo listou as 246 profissões mais relevantes para o setor industrial, subdivididas em formação de nível superior, médio e básico: todas apresentam perspectiva de contratação. A mesma pesquisa já havia sido feita em 2007, registrando a tendência de forte expansão. Cinco anos depois, intensificou-se, além do ritmo de crescimento, a exigência de qualificação, outro tópico abordado pela Firjan.

— O Brasil vai contratar muito, sim, mas precisa de profissionais qualificados. E toda a cadeia hierárquica está sendo mais exigida: para cargos operacionais, por exemplo, não basta mais o ensino básico, é preciso ter um curso técnico — destaca a gerente de Pesquisas da federação.
O bom momento do mercado de trabalho nacional é confirmado ainda pela "Pesquisa de Expectativa de Emprego", realizada pelo ManpowerGroup, que, trimestralmente, avalia os planos de contratação em 41 países e territórios.

— O Brasil é o segundo país que mais vai contratar no próximo trimestre, depois da Índia — relata Riccardo Barberis, CEO da Manpower Brasil.

Planejar bem as contratações é crucial em anos pré-eventos
No estudo da Firjan, não houve previsão de redução do efetivo de empregados para nenhuma das 246 profissões consideradas, que foram escolhidas com base no Código de Ocupação Profissional do Ministério do Trabalho e Emprego e em sugestões de especialistas do setor e dos participantes da pesquisa.

— Separamos as profissões mais relevantes para as indústrias extrativa, de transformação e da construção civil. A intenção não era apenas olhar para aquelas com previsão de crescimento, mas, das 246 que analisamos, todas tinham essa tendência — destaca Hilda Alves, gerente de Pesquisas e Estatística da Firjan.

Indústria de plástico cresce 20% ao ano
A pesquisa feita pelo ManpowerGroup indica que, no Brasil, 45% dos empregadores esperam contratar funcionários no próximo trimestre, enquanto 6% esperam redução no ritmo de contratações. 

— Nossa interpretação para essa redução é que as empresas que trabalham mais voltadas para o mercado externo e com exportações estão mais cuidadosas, por causa da crise internacional. Mas quem está focado no consumo interno continua em crescimento — explica Riccardo Barberis, CEO da Manpower Brasil.

A gerente de Pesquisas e Estatística da Firjan não descarta a possibilidade de a crise econômica provocar queda na geração de empregos, mas não antecipa esse cenário.
— É claro que o Brasil não está imune aos impactos da crise internacional. Mas foi possível perceber, depois da crise de 2008, principalmente na contratação de pessoal, que o país passou bem pela turbulência — diz Hilda.

É o caso da indústria Plastlab, de transformação de plástico, localizada em Madureira. No estudo feito pela Firjan, a profissão com maior perspectiva de crescimento foi supervisor de produção nesse tipo de indústria. A fábrica existe há 20 anos e, segundo Marcelo Oazen, proprietário da empresa e também vice-presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro (Simperj), vem crescendo 20% anualmente.

— Apenas nas últimas duas semanas, contratei oito novos funcionários, para realizar diferentes funções — diz Oazen, cuja fábrica conta com cerca de 60 empregados.
A Plastlab produz mais de 2.500 itens derivados do plástico e acaba de lançar uma linha de talheres inquebráveis.

— Temos crescido muito e a previsão é crescermos mais ainda, com novos produtos. O plástico é uma matéria-prima que pode ser reciclada o tempo todo — afirma Oazen.

Biotecnologia, uma ciência transversal
Sétimos colocados no ranking das profissões elaborado pela Firjan, os biotecnologistas atuam na criação e gerenciamento de novos produtos nas áreas de saúde, química, ambiental e alimentícia — podendo também trabalhar com microbiologia e controle ambiental, entre outras. 

— É uma carreira que está em franca expansão. Nós estamos, definitivamente, na era da biotecnologia — acredita Kátia Aguiar, gerente de Relações Institucionais e Negócios do Polo de Biotecnologia do Rio de Janeiro (Bio-Rio).

E a profissão já vem recebendo impacto pela proximidade dos grandes eventos esportivos dos próximos anos.

— Desde a criação de suplementos nutricionais para atletas até estações de tratamento de esgoto para estádios, tudo utiliza processos biotecnológicos. É uma ciência transversal, que abre muitos campos de atuação — diz Katia.

‘Os saberes estão cada vez mais complementares’
A proximidade com a Copa, daqui a dois anos, e as Olimpíadas, em 2016, ajuda também a ditar o ritmo acelerado de contratações nos demais setores. É o que acredita o CEO da Manpower Brasil. Para Barberis, é uma demonstração de que as empresas, ao contrário do que acontecia no passado, estão se preparando com mais antecedência.

— Essa maior organização é um reflexo tanto da maturidade da indústria brasileira, quanto da escassez de talentos que o mercado enfrenta. Planejar as contratações é crucial para ter as pessoas certas para executar o negócio — ressalta Barberis.

Esse, aliás, é um dos maiores desafios, tendo em vista o aumento do nível de exigência pela qualificação.

— Os saberes estão cada vez mais complementares. Um profissional com mestrado e curso técnico, por exemplo, vai se destacar ainda mais — avalia a gerente da Firjan.



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